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| Segunda-Feira, 17 Maio 2010 16:16 | |
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Maputo, Out(GMN)-Foram efectuadas propagandas equivocadas no que diz respeito a contribuição dos combustíveis na redução das emissões de carbono na atmosfera, dizem cientistas, citados pelo jornal norte americano New York Time.
Estudos mais recentes sobre os impactos causados pelos combustíveis fósseis contribuíram para colocar o tema dos biocombustíveis na ordem do dia. Actualmente, a matriz energética é composta por petróleo (35%), carvão (23%) e gás natural (21%). Apenas dez dos países mais ricos consomem cerca de 80% da energia produzida no mundo. Entre estes, os Estados Unidos que são responsáveis por 25% da poluição atmosférica. Analistas estimam que, dentro de 25 anos, a demanda mundial por petróleo, gás natural e carvão, pederá registar um aumento de 80%. A aceleração do aquecimento global é um facto que coloca em risco a vida do planeta. Porém, é preciso desmistificar a principal solução apontada actualmente, difundida através da propaganda sobre os supostos benefícios dos biocombustíveis. O conceito de energia “renovável” deve ser discutido a partir de uma visão mais ampla que considere também os efeitos negativos destas fontes. Por outro lado, já existem diversos estudos que contradizem essa ideia. Especialista em genética e bioquímica, a professora Mae-Wan – Ho, da Universidade de Hong Kong, explica que “Os biocombustíveis têm sido propagandeados e considerados erroneamente como neutros em carbono, como se não contribuíssem para o efeito estufa na atmosfera; quando são queimados, o dióxido de carbono que as plantas absorvem quando se desenvolvem nos campos é devolvido à atmosfera. Ignoram-se assim os custos das emissões de CO2 e de energia de fertilizantes e pesticidas utilizados nas colheitas, dos utensílios agrícolas, do processamento e refinação, do transporte e da infra-estrutura para distribuição”. Para a pesquisadora, os custos extras de energia e das emissões de carbono são ainda maiores quando os biocombustíveis são produzidos em um país e exportados para outro. Um estudo do Gabinete Belga de Assuntos Científicos mostra resultados semelhantes. “O biodiesel provoca mais problemas de saúde e ambientais porque cria uma poluição mais pulverizada, libera mais poluentes que promovem a destruição da camada de ozono”. Sobre a produção de etanol, Mae-Wan – Ho explica que “não foi levada em consideração a enorme liberação de carbono do solo orgânico provocada pela cultura intensiva de cana-de-açúcar que substitui florestas e terras de pastagem que, se fossem regeneradas, poupariam mais de sete toneladas anuais de dióxido de carbono por hectare do que o bioetanol poupa”. Além disso, cada litro de etanol produzido consome cerca de quatro litros de água, o que representa um risco de maior escassez de fontes naturais e aquíferos. No caso da soja, as estimativas mais optimistas indicam que o saldo de energia renovável produzido para cada unidade de energia fóssil gasto no cultivo é de menos de duas unidades. Isso se deve ao alto consumo de petróleo utilizado em fertilizantes e em máquinas agrícolas. A contribuição dos biocombustíveis para estancar o aquecimento global pode não ser tão grande quanto se propagandeia mundo afora. Essa é uma das conclusões do Seminário sobre “biocombustíveis e desenvolvimento sustentável”, realizado nos dias 28 e 29 de Janeiro, em Grenoble, na França. Diante dos limites, “o melhor meio é de facto diminuir o consumo de energia”, resumiu Patrick Criqui, da Universidade de Grenoble, e um dos participantes do Seminário. Segue a íntegra de matéria de Hervé Kempf publicada no Le Monde, 02-02-2008. Como foi possível se comprometer tão rapidamente com a produção de biocombustíveis? Esta é a pergunta que se fizeram, um pouco confusos, cerca de 50 pesquisadores e especialistas que participaram de um seminário sobre “biocombustíveis e desenvolvimento sustentável”, organizado em Grenoble pelo serviço de pesquisa do Ministério da Ecologia, nos dias 28 e 29 de Janeiro. Em 2003, os principais países ocidentais comprometeram-se com a elaboração de ambiciosos planos de desenvolvimento dos biocombustíveis. Desde então, sucederam-se estudos que, no essencial, desmentiram o interesse ambiental. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a ONU, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Câmara dos Comuns britânica produziram relatórios críticos, assim como numerosos artigos científicos. “Os estudos de balanço energético dos trâmites apresentam enormes diferenças”, sublinhou Jean-Christophe Bureau, do Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica (INRA). Vai-se assim de um ganho de onze unidades de energia produzidas para um consumo na cadeia de produção de biocombustíveis, a uma perda de seis unidades! “A análise global desses estudos”, prosseguiu Bureau, “leva à conclusão de que o custo da tonelada de dejectos de CO2 poupada (pela substituição de hidrocarburantes de origem fóssil) é bem superior ao que é recomendado”. Atinge 330 euros para o etanol de origem vegetal, quando o preço de referência na França é de 25 euros. O impacto ambiental do desenvolvimento projectado dos biocombustíveis é notável. Na Europa, se faria pela cultura dos pousios. “Ora, numerosas espécies de plantas ou de pássaros já estão em situação precária. As medidas de protecção beneficiaram em muito os pousios”, indica Serge Muller, da Universidade de Metz. “O desenvolvimento dos biocombustíveis é incompatível com o empenho internacional que levou a França a propor o estancamento da erosão da biodiversidade em 2010”. Resultados surpreendentes apareceram. Assim, em razão de uma má combustão, alguns biocombustíveis poderão levar a um aumento das emissões de poluentes atmosféricos, como o peróxido de azoto. Igualmente, pelo fato de que a colza absorve mal o adubo azotado, seu desenvolvimento em cultura energética corre o risco de provocar um aumento da poluição da água. Quanto aos biocombustíveis nos países tropicais, se apresentarem rendimentos energéticos bem melhores (especialmente a cana-de-açúcar), seu desenvolvimento se produz em parte pelo desmatamento. A concorrência com as culturas alimentares pode também ser prejudicial para os mais pobres, ao conduzir a subida dos preços dos alimentos. Ao contrário, quando bem feita, a utilização da biomassa poderia fornecer empregos para os camponeses do Sul, que estão substancialmente em falta, sublinhou o economista Ignacy Sachs. De facto, o desenvolvimento dos biocombustíveis foi amplamente motivado pela vontade de sustentar os produtores de cereais, mal das pernas nos dois lados do Atlântico devido à diminuição das subvenções. “Quando, em 2003, foi tomada na França a decisão de se lançar o plano”, disse Claude Roy, coordenador interministerial para a biomassa, “não medimos todos os impactos sobre os mercados agrícolas e sobre a biodiversidade. Mas essas moléculas também são úteis para a química: a verdade lógica é ir ao encontro da química verde”. Conclui-se que, no que diz respeito à prevenção da mudança climática, os biocombustíveis parecem ser de interesse limitado. “O melhor meio é de facto diminuir o consumo de energia”, resumiu Patrick Criqui, da Universidade de Grenoble. Uma outra conclusão do seminário foi a fragilidade dos instrumentos de avaliação ambiental, social e económica, que leva os políticos a tomarem decisões mal informadas(x)NYT/GMN/AS |





